Jackeline Lima Farbiarz

jackieÉ mestre em Letras pela PUC-Rio e doutora em Educação na área de concentração Estudos da Linguagem pela USP. Com o grupo DeSSIn, do qual é fundadora e coordenadora, divide seu respeito ao pensamento de Mikhail Bakhtin na concepção de que:

 

Quando contemplo no todo um homem situado fora e diante de mim, nossos horizontes concretos efetivamente vivenciáveis não coincidem. Porque em qualquer situação, ou proximidade que esse outro que contemplo possa estar em relação a mim, sempre verei e saberei algo que ele, da sua posição fora e diante de mim, não pode ver: as partes de seu corpo inacessíveis ao seu próprio olhar – a cabeça, o rosto, e sua expressão – , o mundo atrás dele, toda uma série de objetos e relações que, em função dessa ou daquela relação de reciprocidade entre nós, são acessíveis a mim e inacessíveis a ele. Quando nos olhamos, dois diferentes mundos se refletem na pupila de nossos olhos. Assumindo a devida posição, é possível reduzir ao mínimo essa diferença de horizontes, mas para eliminá-la inteiramente urge fundir-se em um todo único e tornar-se uma só pessoa. (2003:21)

Seus interesses de pesquisa são: as (1) as práticas culturais estabelecidas a partir de relações interpessoais, mediadas por objetos e sistemas de informação em interação com contextos; (2) os objetos e sistemas de informação como registros fotográficos de um instante; (3) as novas tecnologias de informação e comunicação como propiciadoras de novos modos comunicativos (4) a mediação do Design na manutenção e/ou inovação cultural (5) o Design em contextos pedagógicos, especificamente o Design na Leitura ou atuante no desenvolvimento de políticas de fomento a leitura.
Jackeline divide com o grupo uma sátira sobre a inserção das NTDICs, com foco na leitura, usando como metáfora a ruptura rolo códice na idade média.

Para dialogar com o video em questão, ela escolhe uma fala de Pasolini em seu diálogo com o jovem Genariello (1990): “Aquilo que as coisas com sua linguagem me ensinaram é absolutamente diferente daquilo que as coisas com sua linguagem ensinaram a você. Nada mudou, porém, a linguagem das coisas, caro Genariello: são as próprias coisas que mudaram. E mudaram de maneira radical. (…) E é um fim de mundo o que aconteceu entre mim, que tenho cinqüenta anos, e você, que tem quinze. Minha figura de pedagogo é então irremediavelmente colocada em crise. Não se pode ensinar se ao mesmo tempo não se aprende”.

Convida também o grupo a refletir sobre o design como modificador de relações interpessoais e anunciador de práticas culturais, a partir dos dois videos a seguir. Despertam-lhe atenção pela certeza de que o desenvolvimento de objetos e sistemas fazem parte da tarefa do designer que, como enfatiza Gustavo Bomfim, se realiza “através da configuração de formas poéticas do vir a ser”.

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